Ontem, ao ler mais uma excelente reportagem sobre apreensões de maconha no Rio de Janeiro, publicada pelo jornal El País - este um dos melhores, seguido pela BBC Brasil -, pude constatar mais alguns equívocos do modelo repressivo e punitivista adotado pelo Brasil. A reportagem cita Portugal e Espanha como modelos de legislações progressistas no tratamento das drogas. Enquanto no Brasil pessoas são inqueridas - e muitas chegam ao sistema prisional - devido ao porte de 10 a 15 gramas de maconha, nos países ibéricos a legislação estabelece entre 25 e 100 gramas. Há uma grande diferença, e a reportagem mostra que " Cerca de 60% das apreensões no Rio seriam consideradas possem legal em Portugal".
Estamos diante de um sistema engessado, extremamente burocrático. Dois PMs que atuam em comunidades do Rio e no projeto Centro Presente, reconheceram ao El Pais de que as abordagens tomam muito tempo de suas rondas preventivas. “Depois dos furtos, perdemos muito tempo com isso. Qualquer ocorrência do tipo nos leva seis horas entre prendermos, levarmos à delegacia, irmos ao laboratório e voltarmos. A maioria das vezes ainda não dá em nada”. O testemunho destes dois profissionais revelam mais alguns erros do modelo repressivo. Não dá certo e até mesmo o ex-secretário de Segurança Pública do RJ e responsável pela implantação das UPPs, José Mariano Beltrame, em entrevista à revista Época disse que "a guerra às drogas é perdida, irracional", e que "droga é problema de saúde pública, não de polícia".
do blog Papo Progressista






