Mais uma ótima reportagem do jornal El País



Há alguns anos venho lendo, refletindo e pesquisando sobre o problema das drogas. Sou totalmente contra o consumo de drogas por saber os males que elas causam aos dependentes, aos familiares, à sociedade e ao Estado. Depois de muito refletir sobre o assunto cheguei à conclusão de que o atual modelo de repressão ao tráfico não funcionou. Estamos literalmente "enxugando gelo". Vide o superlotamento do sistema prisional, os milhares de assassinatos cometidos de usuários em dívida com traficantes, a imensa corrupção de agentes públicos e os milhões de reais investidos pelo Estado na repressão ao tráfico. É um sistema falido, ultrapassado. Até Estados dos EUA estão repensando o modelo repressivo, punitivista.

Ontem, ao ler mais uma excelente reportagem sobre apreensões de maconha no Rio de Janeiro, publicada pelo jornal El País - este um dos melhores, seguido pela BBC Brasil -, pude constatar mais alguns equívocos do modelo repressivo e punitivista adotado pelo Brasil. A reportagem cita Portugal e Espanha como modelos de legislações progressistas no tratamento das drogas. Enquanto no Brasil pessoas são inqueridas - e muitas chegam ao sistema prisional - devido ao porte de 10 a 15 gramas de maconha, nos países ibéricos a legislação estabelece entre 25 e 100 gramas. Há uma grande diferença, e a reportagem mostra que " Cerca de 60% das apreensões no Rio seriam consideradas possem legal em Portugal".

Estamos diante de um sistema engessado, extremamente burocrático. Dois PMs que atuam em comunidades do Rio e no projeto Centro Presente, reconheceram ao El Pais de que as abordagens tomam muito tempo de suas rondas preventivas. “Depois dos furtos, perdemos muito tempo com isso. Qualquer ocorrência do tipo nos leva seis horas entre prendermos, levarmos à delegacia, irmos ao laboratório e voltarmos. A maioria das vezes ainda não dá em nada”. O testemunho destes dois profissionais revelam mais alguns erros do modelo repressivo. Não dá certo e até mesmo o ex-secretário de Segurança Pública do RJ e responsável pela implantação das UPPs, José Mariano Beltrame, em entrevista à revista Época disse que "a guerra às drogas é perdida, irracional", e que "droga é problema de saúde pública, não de polícia". 





Com Johnny Bernardo,
do blog Papo Progressista

Bora discutir sobre a reforma do ensino médo




Parece que o governo golpista do Michel Temer está conseguindo levar adiante seu plano de desmonte das conquistas progressistas alcançadas desde a Constituição Cidadã de 1988. A reforma do ensino médio foi recentemente aprovada pelo Senado e sancionada hoje pelo "presidente". Vamos falar a verdade: ficou uma porcaria. Este desgoverno não entende a importância do senso crítico dos alunos. Há uma aparente "democracia" na ideia apresentada pelo projeto de reforma, que é a de permitir que os alunos escolham qual área desejarão aprofundar - o que provavelmente vai acabar deixando algumas disciplinas fora da grade curricular. Ao focar no produtivismo, o que o governo quer é formar "mão de obra especializada para o mercado de trabalho", e não criar jovens que tenham senso crítico, capacidade de análise da conjuntura.

Embora o governo não tenha excluído as disciplinas de Artes, Sociologia e Filosofia da grade curricular do ensino médio, as transformou em "conteúdos" que podem ser ministradas de forma interdisciplinar, dialogando com as disciplinas de História e Geografia. Apenas as disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática e Inglês permanecem como obrigatórias, sem a necessidade de mesclar-se a outras disciplinas. A interdisciplinaridade tem algumas características importantes porque permite estabelecer um aprofundamento do conhecimento histórico, mas a médio e longo prazos podem causam o engessamento do ensino. Dificilmente os governos estaduais conseguirão desenvolver conteúdos interdisciplinares em menos de cinco anos.  Nossa esperemos é que em 2018 tenhamos mudanças.





Com Johnny Bernardo, 
do blog Papo Progressista



Vamos falar sobre a masculinidade?




Está rolando, nas unidades do Ministério Público de São Paulo (MPSP) uma roda de conversa sobre a cartilha lançada recentemente pelo órgão, Vamos falar sobre a masculinidade? O mesmo encontro está acontecendo em outras unidades do MPSP. A cartilha é importante porque tem como objetivo esclarecer algumas dúvidas, pontuar diferenças e desmistificar  crenças populares. Temas como "o que é o homem"; "o que é a feminilidade e a masculinidade"; "machismo versus masculinidade", "Violência Doméstica" etc. são discutidos em uma linguagem simples, porém direta. É um material excelente, e serve como contraponto a uma série de políticas e ideias machistas que rolam pela sociedade. Foram distribuídos exemplares em quase todas as unidades do MPSP e há uma versão disponível online. Leia e compartilhe.





com Johnny Bernardo, 
do blog Papo Progressista

O legado progressista de Dom Paulo Evaristo Arns




















Em um momento em que o Brasil passa por um período de declínio social e moral, com políticos e lideres religiosos (leia-se “evangélicos”) envolvidos em crimes de lavagem de dinheiro e indiciados pelo Ministério Público, a perda de figuras emblemáticas como a do Arcebispo Emérito da Arquidiocese de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016) abre um grande vácuo progressista no Brasil e no mundo.

Dom Paulo Evaristo Arns deixa um legado de lutas, de enfrentamento das injustiças sociais, dos opressores. Sua morte, na última quarta-feira (14), foi uma grande perda, embora seu legado permaneça entre os que lutam por um país melhor, mais democrático e participativo. Arns compreendia a alma do povo, do pobre, do dito “favelado”. Ele surpreendeu seus pares ao almoçar ao lado de leigos, de irmãos. 

Arns foi incisivo em sua luta contra os desmandos do regime militar brasileiro, na abertura de suas igrejas para o acolhimento de perseguidos políticos. Jornalistas, intelectuais, sindicalistas, artistas encontraram no arcebispo um apoio, uma base de resistência contra os golpistas de 1964. Acima de tudo, Arns foi um exemplo de pastor comprometido com suas ovelhas, com os que buscavam um refúgio em meio a opressão.

Arns deixa um legado progressista, de apoio ao Concílio Vaticano II, de abertura da Igreja ao mundo. Foi um incansável defensor dos direitos humanos, da liberdade de expressão, do gênero feminino, do negro e do pobre. Mas também era um conciliador, um apaixonado pelo Evangelho. Permanece o legado, o exemplo a ser seguido por todos os cristãos. O tradicionalismo deve ser superado por uma visão progressista de mundo. Arns compreendia está grande verdade, pela a qual lutou bravamente. Adeus.




Com Johnny Bernardo, 
do blog Papo Progressista